CASA DOS ESPELHOS
Rola de um lado a outro.
A dor não passa.
Detesta incomodar, mas não aguenta.
Berra o filho.
Em segundos, as luzes acendem.
Pelos olhares, alcançam as necessidades do velho que é, mais uma vez, medicado.
O rapaz verifica a sonda, faz a devida limpeza no recipiente para a urina.
O último AVC desconjuntara o idoso, agora só móvel do pescoço acima.
A vítima não se cansa das memórias. De quando fora um homem independente. Capaz de resolver os problemas na base da porrada, se necessário fosse.
O velho é desnudo. A fralda, cheia de fezes, retirada.
O filho sabe o nó da empreitada a que se destinara. Põe literalmente a mão na “massa”.
Decidira (há alguns anos) cuidar pessoalmente de quem o odiava. Lição que ainda fala em via dupla.
Ajeita o pai do modo necessário e faz o serviço. Limpar o pai não o ofende mais, embora o auxiliado se sinta mísero: como o produto das entranhas.
No colo ao banheiro. Silêncio.
Água sabão e pensamentos.
De volta ao quarto e acomodado, as lágrimas (apertadas) escorrem.
Algumas palavras depois, tímidos sorrisos.
Pai e filho compartilham a noite. Entre recordações e histórias. Revezam os defeitos e as virtudes da vida, até o nascimento do novo dia: só alcançado porque um tem ao outro.
A dor não passa.
Detesta incomodar, mas não aguenta.
Berra o filho.
Em segundos, as luzes acendem.
Pelos olhares, alcançam as necessidades do velho que é, mais uma vez, medicado.
O rapaz verifica a sonda, faz a devida limpeza no recipiente para a urina.
O último AVC desconjuntara o idoso, agora só móvel do pescoço acima.
A vítima não se cansa das memórias. De quando fora um homem independente. Capaz de resolver os problemas na base da porrada, se necessário fosse.
O velho é desnudo. A fralda, cheia de fezes, retirada.
O filho sabe o nó da empreitada a que se destinara. Põe literalmente a mão na “massa”.
Decidira (há alguns anos) cuidar pessoalmente de quem o odiava. Lição que ainda fala em via dupla.
Ajeita o pai do modo necessário e faz o serviço. Limpar o pai não o ofende mais, embora o auxiliado se sinta mísero: como o produto das entranhas.
No colo ao banheiro. Silêncio.
Água sabão e pensamentos.
De volta ao quarto e acomodado, as lágrimas (apertadas) escorrem.
Algumas palavras depois, tímidos sorrisos.
Pai e filho compartilham a noite. Entre recordações e histórias. Revezam os defeitos e as virtudes da vida, até o nascimento do novo dia: só alcançado porque um tem ao outro.
Poema que integra o meu livro "Revolução Singela".


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