A maior dor é saber que ela nunca vai entender o que sou e quem sou
As vezes eu não quero escrever
Pois não se traduz o que não é nem amor
Deve existir afeto.
Sou obrigada a reconhecer
Mas sempre sabemos quando é recíproco
E nesse caso não chega a ser
Já intitularam de platônico
Tentaram nomear
Mas prefiro não dar nomes
Prefiro não lembrar
A maior dor é saber que ela nunca tentou sentar do meu lado pra ver o que estava acontecendo
Meu coração desde então permanece calado e continua batendo
Poderia tentar sorrir de canto e chamar atenção
Mas não sei se daria certo
Creio que não
Peguei um elogio dela no ar e era direcionado a mim
Guardei bem guardado... não vai se repetir. Não espere que sim
Mas eu preciso escrever sobre
E ainda ela não vai saber
Nem sei bem se os outros poemas lê
Aperta o peito forte e devagar
Faz a dor ir e voltar
Eu não espero nada dela
Mas queria que soubesse me amar
Sim, ela fala que ama
Mas não é verdadeiro
A verdade se ve em gestos
Gestos onde nos doamos por inteiro
Mas eu preciso escrever sobre e afirmar
Cada meio gesto é motivo pra briga
Só vejo cobrança
Desgosto
Ferida
Eu fiz até onde pude e não foi suficiente
Ainda custo entender por que a vida uniu a gente?
Vou permanecendo enquanto minhas asas crescem
Logo eu vôo
E ela me esquece ...
Vou carregar cada dia no pensamento
E ela vai apenas rir
Sorrir e se sentir bem
Por me ver alçar vôo
Por me ver muito além
Talvez eu fale a verdade e diga que dói ver tudo acontecendo assim
Mas ao mesmo tempo sei que o melhor é não ter ela perto de mim
Fran Camargo




















