sexta-feira, 28 de abril de 2017

Cacos de um coração

O amor é mesmo um grande arriscar 
Não pode ter medo de se machucar
Ao invadir a bagunça lembranças, cacos e feridas 
Tentar cura-las, junta-las, arruma-las 
A qualquer preço ou medida. 
Abrir um novo cenário em harmonia 
Para isso tem que se esquecer da dor 
E lembrar-se de que o amor 
traz os resistentes esparadrapos do conforto
Fecha as ferias, ameniza as guerras e os cortes nas mãos 
De quem um dia segurou um amor pelas palmas
Com as pontas dos dedos e com seu próprio coração
Que por tanta persistência 
Acabou esvaindo pelas frestas da passageira paixão 
Ah! tem que ser valente para amar 
Não se sabe o certo o que encontrar 
O mar do viver e uma infinita e densa profundeza
Há de desviar os olhares das cicatrizes inúmeras
De um imperfeito coração 
Realçar o que um dia se perdeu, mas não foi-se 
Buscar na alma a pureza natural
Que mora no afundo daquele ser 
Resgatar os pedaços dissipados 
Ser um artista plastico! 
Trazer o "eu" do ser amado 
Dar abrigo seguro debaixo da compreensão 
Cuidar, zelar e mostrar em gratidão 
Que para quem ama, não importa os rasgos nas mãos 
Nem o sangue de percorre entre seus dedos 
Deste que ajunta os pedaços em paciência 
Até transformar os caquinhos 
Em um terno coração em resiliência
Pronto para habitar um nova peça em ação
Para logo florescer o maior dos sentimentos eternos
O amor e seu desabrochar poético.




                                             •||#autora: ~[Ana Beatriz Hoft] ®||• #Poéticação.

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