sábado, 5 de agosto de 2017

marla singer



marla singer

meu caos tem nome de mulher
quando te beijei senti a mesma
sensação de quando apontei um taurus
pra cabeça de alguém pela primeira vez
o gosto do seu cigarro vagabundo
amputava toda dor do meu peito.
as cicatrizes nas coxas
as tentativas vãs de suicídio
sempre à procura de novas drogas
que dessem algum sentido a vida
o coração torto tatuado acima
do mamilo esquerdo
a metáfora da casa vazia
nossos papos sobre loucura
e arte
a incapacidade de Van Gogh
permanecer mais de dois anos
em um relacionamento
minha língua na sua buceta
suas unhas nas minhas costas
a sodomia naquele motel de quinta
os cabelos amarrados com a própria calcinha
pra depois banharmo-nos com o chuveiro
queimado
e compararmos a diferença enorme
das nossas playlist.
musa schopenhauriana com absurdos
reticentes pra desfragmentar
as razões do espírito
seu sorriso é um eufemismo
para o tempo que não aceita
suborno e deveria ser perpetuado
em carvão
você acariciou minha barba falhada
afirmando que tenho cara de quem fugiu
da reabilitação
depois atravessou a avenida sem olhar
para os lados.

Bruno Sanctus.

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