quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Amanda- Seigneur Cannabis part 2

Eu tinha 12 anos,
Era Agosto de 2006
Eté... verão na França...
O calor levava os parisienses a tomarem sol nas margens do Sena...
Quanto à mim?
Aguardava ansiosamente por duas coisas:
Os 64 mm de chuva prometidos na previsão e o aval do meu pai para irmos ao Brasil...
As férias da Zona C (Bordeaux, Créteil, Paris, Versailles) ja haviam começado e meu coração  batucava o
Hino Nacional Brasileiro...
Fechei os olhos inspirei o odor do Sena
E senti minhas entranhas recitarem "Liberta Quae Sera Tamem"
Eu precisava absurdamente das Minas Gerais...

A liberdade ainda que tardia chegou
E enfim eu respirei o ar inoxidável de minério de ferro...

Era 8 de agosto...
Inverno fresco Em Minas...
Gravata bamba...
Saia de pregas e bolinhas...
All  Star de cano longo e meia calça rasgada...
A típica rebelde sem causa,
Ou talvez o estereótipo preferido do  Seigneur Cannabis...

Eu não o vi...
Eram todos meio iguais,  jeans rasgados e camisetas pretas de uma banda de rock qualquer...
Mas ele...
Viu...
E capturou-me para seu mundo...
Tomou-me para si.

Novamente era Agosto...
O Ano?  2008...
Eté...
Minas...
Seigneur Cannabis...
Entreguei-me à  ele dá forma mais esdrúxula  possível...
Um festival...
Numa garagem escura de mais um dos seus amigos do metal...
As estocadas ritmadas eram abafadas pelos altíssimos decibéis  de
 "Roots Bloody Roots"...
Ninguém me ouviu...
Nem ele mesmo...
Mostrou-se um Lord...
Mal sabia eu que aquilo não acabaria ali...
E que a cidade das luzes?
Seria apenas Paris...

(Thamara Santana)




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