Para fingir que a dor não existia.
Olhei para o céu e minha solidão fez-me constatar que só precisei da luz quando vi que escurecia.
Só senti falta do sol, quando o frio veio me incomodar...
E só soube que amava, quando deixei ir.
Só vi como estava bem, quando chorei até secar...
Odiei a minha caminhada e senti muitas saudades de casa.
Olhando para o fundo do meu copo,
O líquido âmbar...
Ameniza e expande meu sofrer,
O último gole faz o movimento de translação ser absurdamente real...
Os passos tropegos trazem a certeza de que demorarei estar num estado normal.
Caminho na espera de que um dia faça meu sonho durar.
Mas sonhos sempre demoram à chegar
e passam rapidamente,
Eu fecho os olhos e lembro da gente.
Talvez um dia entenda o porquê
Tudo o que toco, morre certamente.
Olhando para o teto no escuro
Os mesmo velhos sentimentos de vazio tomam conta do meu coração...
Como se estivesse sufocando,
Perco minha pulsação.
O amor chega devagar, e passa muito,
Muito rápido, por quê?
Bem, porque só percebemos
Do que e de quem precisamos
Quando perdemos
Ou abandonamos.
Nem tudo que vai,
Volta de imediato.
O que me resta é sofrer e aceitar
A dor de viver nesse imenso Hiato.
(Tham Santana)

Nenhum comentário:
Postar um comentário