sábado, 29 de julho de 2017

Uma garotinha

          E eu era a garotinha das estações flutuantes, e eu era a menina que nem sabia o que isso queria dizer. Eu era uma flor sem espinhos, pois ninguém tinha medo de pisar, eu era a borboleta que nasceu sem saber voar, pois nunca percebeu que já não era uma lagarta no casulo. E eu era a bela que não acordou com o beijo do príncipe ou a Rapunzel que não soube deixar o cabelo crescer. E eu era faísca em meio a chuva fina, ou o peixinho que não sabia nadar. E eu era a frase que paira no ar, a abelha sem pólen pra carregar.

          E eu, eu estou aqui a pensar como serei outra coisa além dessas todas que fui. E eu me sentia pouco e me sentia abismo, eu era chuvisco. Eu queria saber até quando eu iria me olhar no espelho e não dizer que estou feliz de verdade, segura e de bem comigo mesma. E eu queria mesmo saber como escrever esses versos no presente do indicativo, porque não consegui até agora, mesmo sabendo que é no agora que isso acontece.

•||#autor: ~[#I. M. Leite]®||•#Poéticação

Nenhum comentário:

Postar um comentário