E eu era a garotinha das estações
flutuantes, e eu era a menina que nem sabia o que isso queria dizer. Eu era uma
flor sem espinhos, pois ninguém tinha medo de pisar, eu era a borboleta que
nasceu sem saber voar, pois nunca percebeu que já não era uma lagarta no casulo.
E eu era a bela que não acordou com o beijo do príncipe ou a Rapunzel que não
soube deixar o cabelo crescer. E eu era faísca em meio a chuva fina, ou o
peixinho que não sabia nadar. E eu era a frase que paira no ar, a abelha sem pólen
pra carregar.
E eu, eu estou aqui a pensar como
serei outra coisa além dessas todas que fui. E eu me sentia pouco e me sentia abismo,
eu era chuvisco. Eu queria saber até quando eu iria me olhar no espelho e não dizer
que estou feliz de verdade, segura e de bem comigo mesma. E eu queria mesmo
saber como escrever esses versos no presente do indicativo, porque não consegui
até agora, mesmo sabendo que é no agora que isso acontece.
•||#autor: ~[#I. M. Leite]®||•#Poéticação
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