sábado, 26 de novembro de 2016

Prelúdio

Aquele bilhete antigo
guardado em um velho livro
empoeirado de sentimentos arcaicos
me olhou como se me desejasse mais
do que o que nele está escrito.
Lembrei que seu conteúdo
embaralhava palavras contraditórias
que traduziam uma tal teoria
dissociada da prática.
Levantei os olhos, tirei o cisco, sorri,
e o joguei, sem pensar, ao mesmo fogo
que outrora acendeu uma chama.
Decidi ouvir e dar voz a um eu, lírico,
um tanto quanto poético
que sabe escrever o que sente
e não mente,
ao invés de dar ouvidos
àquelas palavras
que insistiam em me convencer
que era normal viver triste
pensando que era amor.

Autor: Monique Barcelos


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